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Três Parceiros na Criação: Fé, Maternidade e Legado

Autoria: Fabiane Braga






O Talmud ensina que existem “três parceiros na criação de um ser humano”, D’us, o pai e a mãe [Talmud Bavli, Kiddushin 30b]. Isso eleva o papel materno de uma função biológica para um ato de santidade e parceria espiritual [Talmud Bavli, Niddah 31a]. Essa benção se estende aos avós e a todos os familiares que desejam participar diretamente desse laço que os une através desse emaranhado traçado pelo arquiteto e criador do universo [Torá, Bereshit 18:19].

O desejo de participar ativamente e efetivamente dessa ligação materna arde no coração de uma avó, porém a distância significativa dividida por um vasto e imenso oceano, o Atlântico, sendo o Cabo da Roca (Portugal) um dos pontos mais próximos do lado europeu em relação ao seu país de origem, o Brasil, não consegue romper com a conexão etimológica que o Eterno estabeleceu entre elas: avó, mãe e neta, que está prestes a chegar [Ketuvim, Mishlei 17:6]. Pois se espelha em suas matriarcas que carregaram em suas raízes a incumbência de nutrir, sustentar e estabelecer constantemente ao longo das gerações a base e a firmeza para a criação de um novo ser com caráter estabelecido na santidade e parceria espiritual [Torá, Devarim 6:6–7], o qual deve seguir para as próximas gerações. E que, embora distante, esses laços não são rompidos, mas tendem a ser fortalecidos [Ketuvim, Tehilim 103:17], pois essa distância não pode apagar o legado que as matriarcas carregaram e que, por sua coragem, atravessou gerações e segue influenciando diretamente ao longo dos séculos [Torá, Shemot 2:1–10].

A parashá Shemot nos conta a história de duas mulheres corajosas que desafiaram as ordens do Faraó, rei da sua época, para que o seu povo pudesse continuar existindo, pelo temor que carregavam diante de si pelo seu D’us único e uno [Torá, Shemot 1:15–21].

Elas exerceram seu ofício em uma época em que a própria existência do povo judeu estava por um fio [Torá, Shemot 1:9–10]. O Faraó havia sido informado através de seus videntes de que um homem judeu ascenderia ao trono hebreu [Midrash Rabá, Shemot Rabá 1:16]. Em um momento de fúria e desespero, não hesitou em conter a natalidade desse povo, primeiro ordenando que todos os homens judeus se submetessem a trabalhos escravos extenuantes [Torá, Shemot 1:11–14] e, em seguida, ordenando que Sifráh e Puah matassem todos os bebês judeus recém-nascidos [Torá, Shemot 1:15–16].

As parteiras, porém, temiam a D’us; por isso não fizeram como o rei do Egito lhes ordenara, mas deixaram os meninos viverem [Torá, Shemot 1:17].

Apesar do perigo de desafiar a ordem do Faraó, Sifráh e Puah decidiram continuar sua vocação sagrada, com inabalável fé no Criador, mesmo conscientes de que a desobediência significaria a morte para elas [Midrash Rabá, Shemot Rabá 1:17]. Mas o temor que sentiam de D’us era muito maior do que o temor que tinham por um rei humano [Ketuvim, Mishlei 29:25]. Elas jamais cogitaram a ideia de lutar contra a vontade de D’us, e venceram [Torá, Shemot 1:20–21]. Essa força foi transmitida a partir dessas mulheres ancestrais até as modernas de hoje [Ketuvim, Tehilim 145:4].

O Midrash afirma que Sifráh e Puah se tornaram, de fato, parceiras de D’us na criação, concedendo vida às crianças judias [Midrash Rabá, Shemot Rabá 1:19].

Ao testemunhar o milagre da vida que se desdobra diante dos nossos olhos, encontramos forças para enfrentar os desafios de manter viva a consciência de influenciarmos diretamente a nossa descendência [Torá, Devarim 30:19] e, por consequência, as próximas gerações a agir com atos de bondade e fidelidade aos princípios estabelecidos pela sagrada Torá [Torá, Vayikrá 19:2], os quais são necessários para uma vida íntegra diante do Criador do universo [Ketuvim, Mishlei 3:6], com empenho e amor constante [Ketuvim, Tehilim 127:3–4].

Assim como no momento em que a mulher está diante do parto, momento esse que exige uma forte dose de fé e entrega [Ketuvim, Tehilim 22:10–11], talvez mais do que em qualquer outro evento da vida, por entender que existe uma força em ação maior do que ela mesma [Nevi’im, Yesha’yahu 66:9], devemos confiar sempre que, assim como D’us confiou habilidades àquelas mulheres para receber as novas vidas [Torá, Shemot 1:20], assim também hoje recebemos esse chamado a continuar com esse legado de fidelidade na educação e influência direta às novas vidas que nos são confiadas [Torá, Devarim 11:19]. Ensinando que, não importando a distância nem as barreiras que se oponham diante de nós, devemos prosseguir confiantes [Ketuvim, Tehilim 37:5], acreditando em todo o tempo que existe um Criador que estabeleceu um plano de vida para as famílias e para toda a humanidade [Nevi’im, Yirmiyahu 29:11]. E que, ao seguirmos esse plano, estaremos em segurança por decidir emular nossa vivência nesses conceitos e ética que nos conduzirão nesta estrada até que Mashiach seja revelado e tudo se torne completamente perfeito [Rambam, Mishnê Torá, Hilchot Melachim 11–12; Nevi’im, Yesha’yahu 2:2–4].

 
 
 

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